Entre montanhas e mar, a Volta Santa Catarina coroa Javier Jamaica

Entre montanhas e mar, a Volta SC coroa Javier Jamaica

Colombiano confirmou o título geral depois de 581,85 quilômetros por algumas das paisagens mais emblemáticas de Santa Catarina. Na chegada a Florianópolis, o brasileiro Igor Molina venceu a última etapa.

Há conquistas que não se constroem apenas na linha de chegada. Elas começam muitos quilômetros antes, entre subidas, fugas, vento, estratégia e trabalho coletivo.

Na Volta Ciclística de Santa Catarina 2026, o caminho até o título atravessou o Vale Europeu, passou pelo coração do turismo religioso catarinense, enfrentou as montanhas da Serra e encontrou, diante do mar de Florianópolis, o cenário para sua decisão.

Depois de 581,85 quilômetros e 8.176 metros de desnível acumulado, o colombiano Javier Jamaica, da equipe Nu Colombia Ciclismo, confirmou a conquista da camisa amarela e tornou-se o campeão geral da edição de 2026.

Jamaica assumiu a liderança ainda na segunda etapa, disputada em Ituporanga, com chegada ao alto do Santuário de Nossa Senhora de Lourdes e do Louvor. A partir dali, soube administrar a vantagem nos diferentes terrenos até cruzar em segurança a última linha da competição, no domingo, 6 de setembro, em Florianópolis.

A vitória na etapa final, porém, ficou em casa. Em uma chegada rápida, o brasileiro Igor Molina, da Andbank Cycling Team, encontrou o espaço certo para superar os adversários e conquistar o terceiro triunfo brasileiro na competição.

Chancelada pela UCI America Tour, na categoria 2.2, a Volta distribuiu pontos para o ranking das Américas e para o ciclo olímpico.

Uma Volta completa

Além da camisa amarela, Javier Jamaica levou para a Colômbia a camisa de bolinhas, destinada ao vencedor da classificação de montanha.

A camisa verde, da classificação por pontos e voltada aos velocistas, ficou com o chileno Francisco Kotsakis, da Plus Performance Zeo Sport.

Entre os ciclistas Sub-23, Guilherme Freitas, da Avaí F.C. – FME Florianópolis – APGF, conquistou a camisa branca. Já a camisa verde e vermelha, destinada ao melhor catarinense, permaneceu com Gabriel Metzger, da ACRS Cycling Team / Semel / Audax / RoyalCiclo. Ele repetiu o resultado alcançado na edição anterior.

A Nu Colombia também encerrou a competição como campeã geral por equipes.

“Estou muito contente com este título. Fomos uma equipe muito forte durante toda a competição. Foi uma Volta muito completa, com contrarrelógio, etapas de montanha e também planas. Já tenho vontade de voltar para a edição do próximo ano”, afirmou Javier Jamaica.

Da Serra ao mar

A última etapa levou o pelotão para um cenário bastante diferente daquele enfrentado nos dias anteriores.

Depois das duras escaladas da Serra Catarinense e da passagem histórica pela Serra do Rio do Rastro, a Volta chegou ao nível do mar. Em Florianópolis, os ciclistas percorreram pontos importantes da capital, como a Ponte Hercílio Luz, o estádio da Ressacada e o Ribeirão da Ilha, bairro que preserva fortes marcas da imigração açoriana.

Com 70,99 quilômetros e percurso majoritariamente plano, a quinta etapa favorecia os sprinters.

Logo depois da passagem pelo trecho continental de Florianópolis, André Gohr e Cristian Egídio, da Taubaté Cycling Team / Tarumã, conseguiram abrir uma fuga e permaneceram escapados durante cerca de uma hora, no trajeto de ida e volta ao sul da Ilha.

A dois quilômetros da primeira meta volante, instalada na arena da Avenida Beira-Mar Norte, os dois foram alcançados pelo pelotão.

No sprint intermediário, Francisco Kotsakis cruzou em primeiro e garantiu os pontos necessários para confirmar o título da camisa verde. Pedro Figueiredo Leme, da LocalizaMeoo / Swift Pro Cycling, e Tomás Quiroz, da Plus Performance Zeo Sport, completaram as posições de pontuação da primeira meta volante.

Na sequência, o pelotão voltou a se reunir na VAC — Via Amiga do Ciclista, espaço reservado aos domingos pela manhã para treinos de ciclismo e atividades de lazer em Florianópolis.

Na segunda e última meta volante da competição, Magno Prado, da ACRS Cycling Team / Semel / Audax / RoyalCiclo, passou em primeiro. Os ciclistas Gabriel Sousa e Rodrigo do Nascimento, ambos da LocalizaMeoo / Swift Pro Cycling, vieram logo depois.

A partir dali, todas as atenções se voltaram para a chegada.

Vitória brasileira na capital

Nos metros finais, o próprio líder Javier Jamaica apareceu puxando o pelotão, numa das imagens marcantes da etapa. Mas, quando começou a aceleração decisiva, foi Igor Molina quem encontrou o melhor posicionamento.

O brasileiro cruzou a linha de chegada em primeiro depois de 1h33min43s de prova.

Francisco Kotsakis terminou na segunda colocação e Tomás Quiroz foi o terceiro, completando o pódio da etapa final.

“Essa vitória não é só minha, é da equipe. Nosso grupo é bem unido e entrosado. Todos tiveram oportunidades de vencer nessa Volta, tanto que o Euller Magno venceu a terceira etapa, na Serra Catarinense. Neste domingo viemos com a mentalidade de conseguir vencer, trazendo para mim o sprint”, contou Igor Molina.

O brasileiro também explicou como encontrou o caminho para a vitória:

“No final, tive que acertar o tempo e o posicionamento. Encontrei espaço de cara no vento e consegui passar na frente. Essa vitória vai para o meu pai, que me acompanha desde criança. Ele não pôde estar presente dessa vez, mas está assistindo e certamente está muito feliz.”

Brasileiros entre os protagonistas

A edição de 2026 também reforçou o papel da Volta Ciclística de Santa Catarina na elevação do nível competitivo do ciclismo brasileiro.

Diante de um pelotão internacional de alto nível, os brasileiros conquistaram três vitórias nas seis disputas realizadas, considerando as cinco etapas em linha e o contrarrelógio por equipes.

O desempenho nacional também apareceu na classificação geral, com forte presença brasileira entre os dez primeiros e pequenas diferenças de tempo em relação aos principais colocados.

Mais do que resultados isolados, essa proximidade mostra a importância de provas internacionais realizadas no Brasil. São competições que permitem aos atletas nacionais enfrentar diferentes escolas de ciclismo, medir forças com equipes estrangeiras e evoluir sem precisar deixar o país.

Os números da Volta SC 2026

Ao longo de cinco dias, os ciclistas percorreram 581,85 quilômetros, acumulando 8.176 metros de desnível.

Etapa 1 — 2 de setembro

Pomerode – Capela Santo Antônio – Ascurra

Distância: 117,29 km
Desnível: 744 m

Etapa 2 — 3 de setembro

Ituporanga – Ituporanga

Distância: 126,95 km
Desnível: 2.271 m

Etapa 3 — 4 de setembro

Urubici – São Joaquim – Mirante do Alto da Serra do Rio do Rastro

Distância: 108,71 km
Desnível: 1.917 m

Contrarrelógio por equipes — 4 de setembro

Orleans

Distância: 19,39 km
Desnível: 49 m

Etapa 4 — 5 de setembro

Orleans – Mirante do Alto da Serra – Bom Jardim da Serra

Distância: 138,52 km
Desnível: 2.755 m

Etapa 5 — 6 de setembro

Florianópolis

Distância: 70,99 km
Desnível: 440 m

Total: 581,85 km e 8.176 m de desnível.

Uma experiência também para os amadores

Uma das novidades da edição de 2026 foi a ampliação das provas abertas ao público.

As etapas amadoras foram criadas para proporcionar aos ciclistas a experiência de participar de uma grande competição, com estrutura profissional, organização e parte da atmosfera vivida pelos atletas de alto rendimento.

No sábado, 5 de setembro, foi realizado o Desafio Volta SC Rio do Rastro, com largada em Lauro Müller e chegada no topo do Mirante da Serra do Rio do Rastro. A prova reuniu participantes das categorias Road/Gravel, E-bike e MTB.

A programação previa ainda, para o feriado de segunda-feira, 7 de setembro, o Desafio Volta SC Floripa, na Beira-Mar Continental, em Florianópolis. A disputa teve largada e chegada na capital catarinense para as categorias Road, Gravel e MTB.

Às 14 horas estava programado o início da Mini Volta SC Kids, voltada às crianças e aos jovens. As largadas das categorias adultas estavam previstas para as 14h30.

A bicicleta movimenta territórios

A Volta Ciclística de Santa Catarina não passou apenas pelas estradas. Passou também pela vida das cidades.

A movimentação de equipes, atletas, comissões técnicas, familiares, profissionais da organização e público gerou centenas de hospedagens e refeições diárias. Hotéis, restaurantes, produtores locais e prestadores de serviços sentiram os efeitos da competição.

Cada região apresentou uma parte diferente do estado: a tradição do Vale Europeu, o frio e as paisagens da Serra Catarinense e a beleza natural de Florianópolis.

Assim, a competição também se transformou em uma vitrine de turismo esportivo. Uma forma de mostrar que a bicicleta pode conectar esporte, economia, natureza e identidade regional.

Olhos voltados para 2027

A organização já trabalha na definição da próxima edição. A intenção é realizar a Volta no início de outubro de 2027, com novos percursos e a presença de um número ainda maior de equipes.

“Estamos definindo datas para a próxima edição. Neste ano, foi antecipada por conta das eleições e para fugirmos das chuvas por conta do El Niño. Vamos construir uma data e, com a Polícia Militar, os percursos”, explicou Ricardo Ziehlsdorff, diretor da Corre Brasil, organizadora do evento.

Segundo ele, um dos maiores desafios é justamente a logística necessária para transferir toda a estrutura da competição entre diferentes cidades.

“O mais complicado da Volta é a mudança de cidades e a logística. Mas, provavelmente, vamos realizá-la no início de outubro em 2027, tentar buscar mais equipes para participar e fazer uma Volta ainda maior e bem entregue para o público.”

A presença de torcedores na Serra do Rio do Rastro foi uma das conquistas destacadas pela organização.

“Tínhamos uma missão para este ano de termos torcedores na Serra do Rio do Rastro e conseguimos, com imagens que ficarão para sempre na nossa lembrança. Esperamos repetir novamente nas próximas edições”, completou Ziehlsdorff.

A Volta acompanhada de perto

O público pôde acompanhar a competição ao vivo, com transmissões diárias iniciadas 15 minutos antes de cada largada.

A cobertura contou com resultados em tempo real, entrevistas, bastidores e conteúdos exclusivos divulgados pelo site oficial www.voltasc.com.br, pelo Instagram @voltadesantacatarina e pelo canal da Volta Ciclística SC no YouTube, que transmitiu todas as etapas e os momentos decisivos da prova.

Os resultados completos estão disponíveis na classificação oficial da Volta Ciclística de Santa Catarina 2026.

Realização e apoios

A Volta SC teve patrocínio institucional da Fesporte — Fundação Catarinense de Esportes, do Programa de Incentivo ao Esporte — PIE e do Governo de Santa Catarina.

A competição contou com supervisão da UCI America Tour e da CBC — Confederação Brasileira de Ciclismo, realização da Pedala Itapema e da AACESC — Associação de Apoio à Cultura e ao Esporte de Santa Catarina, além da organização do Grupo Corre Brasil.

A edição de 2026 teve patrocínio de Havan, Proaço, Soul Cycles, RVB, Hot Buttered, Aunna, RAM e Pirelli.

Também contou com o apoio de Disauto, Fibra Sports, Feel Good, Banana Brasil, Santuá, Nathir e Alquimia da Saúde, além do apoio institucional das prefeituras de Pomerode, Orleans e Florianópolis.

Ao final, a camisa amarela viajou para a Colômbia. Mas as imagens, as histórias e a força da bicicleta permaneceram em Santa Catarina.

Porque uma grande volta nunca termina exatamente onde começou. Depois de passar, ela sempre deixa algum caminho aberto.

Fotos: Lucas Hahn/Volta Ciclística de Santa Catarina

Modalidades Notícias