{"id":4323,"date":"2025-03-20T14:00:00","date_gmt":"2025-03-20T17:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/cupombike.com.br\/o-futuro-das-cidades-atraves-da-bicicleta\/"},"modified":"2026-05-15T22:18:05","modified_gmt":"2026-05-16T01:18:05","slug":"o-futuro-das-cidades-atraves-da-bicicleta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cupombike.com.br\/novo\/o-futuro-das-cidades-atraves-da-bicicleta\/","title":{"rendered":"O futuro das cidades atrav\u00e9s da bicicleta"},"content":{"rendered":"<div>\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-center is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p><strong><em>O FUTURO DAS CIDADES ATRAV\u00c9S DAS BICICLETAS<\/em><\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>N\u00e3o, n\u00e3o se trata de mais um texto fazendo apologia (discurso para justificar ou defender) \u00e0s bicicletas. Tampouco se pretende filosofar sobre algo pouco concreto, porque seria banalizar o pensamento e o tempo que j\u00e1 n\u00e3o temos. Minha aten\u00e7\u00e3o est\u00e1 focada em um pequenino detalhe da vida de cada um de n\u00f3s, t\u00e3o impactado e impactante ao mesmo tempo: as cidades, seu presente e seu futuro.<\/p>\n<p>Come\u00e7o sugerindo que existam dois momentos onde a totalidade das coisas do mundo se encontram, incluindo as cidades: o \u201cj\u00e1\u201d e o \u201cainda n\u00e3o\u201d.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"720\" height=\"480\" src=\"https:\/\/revistabicicleta.com\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/CIdades-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-32646\" srcset=\"https:\/\/revistabicicleta.com\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/CIdades-1.jpg 720w, https:\/\/revistabicicleta.com\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/CIdades-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/revistabicicleta.com\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/CIdades-1-696x464.jpg 696w, https:\/\/revistabicicleta.com\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/CIdades-1-630x420.jpg 630w\" sizes=\"(max-width: 720px) 100vw, 720px\"><figcaption>\u00a9 AdobeStock<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Explico-me. In\u00fameras cidades ao redor do planeta <em>j\u00e1<\/em> acusam seu estado colapsado. Seja em decorr\u00eancia ao caos do tr\u00e2nsito ou \u00a0pelos resultados ou efeitos da depreda\u00e7\u00e3o socioambiental (s\u00f3 sabemos da natureza porque existimos e pensamos sobre ela), <em>j\u00e1<\/em> est\u00e3o em colapso, mas <em>ainda n\u00e3o<\/em> est\u00e3o conscientes da urgente e necess\u00e1ria mudan\u00e7a de comportamento e de modo de vida.<\/p>\n<p>Outras, talvez t\u00e3o pr\u00f3ximas de n\u00f3s, <em>ainda n\u00e3o<\/em> est\u00e3o prontas ou aptas para as mudan\u00e7as, mas <em>j\u00e1<\/em> come\u00e7aram a planejar coletivamente ap\u00f3s definir os porqu\u00eas, de que maneiras e para quais finalidades querem tais mudan\u00e7as.<\/p>\n<p>Sabemos de cidades que <em>j\u00e1<\/em> procuraram t\u00e9cnicos e especialistas para tratar de suas patologias urbanas (mais uma vez, sociais), mesmo que <em>ainda n\u00e3o<\/em> tenham total no\u00e7\u00e3o do quanto esta escolha ou decis\u00e3o trar\u00e1 resultados qualitativos \u00e0 vida de cada um e de todos os cidad\u00e3os, presentes e futuros. Sim, l\u00e1 e aqui, hoje e amanh\u00e3, mais uma ou menos uma cidade requer para si o t\u00edtulo de \u2018cidade amig\u00e1vel\u2019, outra daquelas inven\u00e7\u00f5es do mercado que se tornou jarg\u00e3o barato, visto que o conceito de sustentabilidade foi banalizado pela m\u00eddia e pelas bocas desqualificadas e <em>ainda n\u00e3o<\/em> surgiu nenhum termo t\u00e3o complexo e t\u00e3o simples \u00e0 sua vez, que o suplantasse.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"720\" height=\"480\" src=\"https:\/\/revistabicicleta.com\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/CIdades-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-32647\" srcset=\"https:\/\/revistabicicleta.com\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/CIdades-2.jpg 720w, https:\/\/revistabicicleta.com\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/CIdades-2-300x200.jpg 300w, https:\/\/revistabicicleta.com\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/CIdades-2-696x464.jpg 696w, https:\/\/revistabicicleta.com\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/CIdades-2-630x420.jpg 630w\" sizes=\"(max-width: 720px) 100vw, 720px\"><figcaption>\u00a9 SenseBike<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Quando, ao in\u00edcio, tratei as cidades como um \u201cpequenino detalhe da vida de cada um de n\u00f3s\u201d, n\u00e3o quis mediocrizar estes espa\u00e7os de ser e estar com os outros. Apenas me remeti \u00e0 efemeridade de nossos anos gastos indo e vindo, num causticante e viciante ger\u00fandio. Tal ato, efetivamente, <em>ainda<\/em> nos t\u00eam feito ir de casa para o trabalho olhando para o \u2018ch\u00e3o\u2019, imersos em nossos problemas t\u00e3o \u2018imensos e vorazes\u2019 (como se fossem apenas nossos) a ponto de consumir nossa aten\u00e7\u00e3o, at\u00e9 que nos damos conta de que <em>j\u00e1<\/em> chegamos ao nosso destino.<\/p>\n<p>L\u00e1 ir\u00e3o, uma ap\u00f3s a outra, nossas horas de trabalho, para que enfim possamos voltar, invariavelmente, pelo mesmo caminho de sempre, com nossos olhos hipnotizados no \u2018nada\u2019, prontos para repetir tudo na manh\u00e3 seguinte. Uma observa\u00e7\u00e3o: esta \u00e9 a tal cidade em que vivo e n\u00e3o a vivo. Detalhe pequeno, por exemplo, \u00e9 este pr\u00e9dio ou esta pra\u00e7a que sempre esteve diante de mim e que jamais consegui interpretar suas figuras ou detalhes arquitet\u00f4nicos, porque jamais me atrevi a elevar ou desfocar meu olhar.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"718\" height=\"562\" src=\"https:\/\/revistabicicleta.com\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/CIdades-3.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-32648\" srcset=\"https:\/\/revistabicicleta.com\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/CIdades-3.jpg 718w, https:\/\/revistabicicleta.com\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/CIdades-3-300x235.jpg 300w, https:\/\/revistabicicleta.com\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/CIdades-3-696x545.jpg 696w, https:\/\/revistabicicleta.com\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/CIdades-3-537x420.jpg 537w\" sizes=\"(max-width: 718px) 100vw, 718px\"><figcaption><em>\u00a9 Nathor<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Outro destes pequeninos detalhes \u00e9 o que existe na rua ao lado, e que de mim se escapou durante estes anos todos porque jamais por l\u00e1 cruzei, por ter escolhido, invariavelmente, ir-me pelo mesmo caminho de sempre.<\/p>\n<p>Parte das cidades e das pessoas que nelas vivem reagem ante \u00e0s necess\u00e1rias mudan\u00e7as com aquele eterno e cinzento Complexo de Gabriela (<em>eu nasci assim, eu cresci assim, vou ser sempre assim<\/em>), e perdem a rara e potencial oportunidade de fazer diferente, de fazer ou ser a diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>Notamos, nos \u00faltimos anos, o quanto a escolha pela bicicleta tem estado presente nos reclames televisivos, nas campanhas de marketing de bancos, cremes dentais, absorventes \u00edntimos, refrigerantes, imobili\u00e1rias, seguradoras, destinos tur\u00edsticos, partidos pol\u00edticos, universidade, e pasmem, at\u00e9 mesmo em lan\u00e7amentos de autom\u00f3veis.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"720\" height=\"480\" src=\"https:\/\/revistabicicleta.com\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/CIdades-4.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-32649\" srcset=\"https:\/\/revistabicicleta.com\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/CIdades-4.jpg 720w, https:\/\/revistabicicleta.com\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/CIdades-4-300x200.jpg 300w, https:\/\/revistabicicleta.com\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/CIdades-4-696x464.jpg 696w, https:\/\/revistabicicleta.com\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/CIdades-4-630x420.jpg 630w\" sizes=\"auto, (max-width: 720px) 100vw, 720px\"><figcaption>\u00a9 EnvatoElements<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Ironicamente, quase nenhuma destas empresas investe em educa\u00e7\u00e3o para a ciclomobilidade urbana ou para a ciclocidadania. Da mesma forma, n\u00e3o o fazem em ado\u00e7\u00f5es de estruturas ciclovi\u00e1rias por meio de cons\u00f3rcios empresariais, em parcerias com o poder p\u00fablico ou, quem sabe, at\u00e9 mesmo atrav\u00e9s da tal \u2018responsabilidade social\u2019, outra daquelas fal\u00e1cias que encantam os ouvidos e as mentes de quem <em>ainda<\/em> ignora o real sentido da express\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o vou longe: a realidade crua nos t\u00eam mostrado que uma boa maioria das empresas do mercado de bicicletas tamb\u00e9m n\u00e3o aposta ou investe em educa\u00e7\u00e3o para a ciclomobilidade ou para a ciclocidadania. Dizem que n\u00e3o lhes compete, e ponto final. Mal sabem elas o quanto isto democratizaria o acesso \u00e0 bicicleta, sensibilizaria o poder p\u00fablico, aumentaria o consumo inteligente e respons\u00e1vel, al\u00e9m de ajudar o andar da vida em milhares de cidades e por in\u00fameros motivos mais nobres.<\/p>\n<p>Possivelmente, esta avalanche publicit\u00e1ria tenha pegado uma carona nisto que ouso chamar de um dos maiores fen\u00f4menos socioculturais dos \u00faltimos 200 anos, sob a forma de um movimento pac\u00edfico em prol da vida, individual, coletiva e do planeta, direta ou indiretamente, no <em>j\u00e1<\/em> e no <em>ainda n\u00e3o<\/em>.<\/p>\n<p>Talvez, tudo esteja sendo motivado pelo crescente n\u00famero de pessoas aderindo, por for\u00e7a da necessidade, moda, esporte ou pelo diletantismo, \u00e0 causa da bicicleta. N\u00e3o importa o motivo, isto \u00e9 um fato social pleno. Por\u00e9m, assim como ocorreu com os autom\u00f3veis, a velocidade e o crescimento do volume de indiv\u00edduos usando a bicicleta cotidianamente n\u00e3o acompanham a o incremento de estruturas ciclovi\u00e1rias condizentes, nem mesmo se ocupam de promover um modelo de educa\u00e7\u00e3o emancipadora, mais libertadora, ainda que mais respons\u00e1vel.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que a l\u00f3gica deste movimento est\u00e1 realmente fundada na transforma\u00e7\u00e3o sociocultural promovida pelo uso inteligente e irrestrito da bicicleta? Ser\u00e1 que, em parte e em certa medida, n\u00e3o se trata de mais uma tentativa utilitarista-individualista de resolver uma quest\u00e3o estritamente econ\u00f4mica e de falta de acessibilidade, e que caberia, por sua vez, ao Estado observar? E mais que tudo, <em>j\u00e1<\/em> n\u00e3o seria hora de cada ciclista sair de sua individualidade e dar sua contribui\u00e7\u00e3o compartilhando saberes com sua comunidade a respeito dos benef\u00edcios universais da bicicleta? Ou, por fim, passarmos a doar parte de nosso tempo a fim de organizar, planejar e subsidiar pac\u00edficas, plurais e ben\u00e9ficas formas de exigir melhorias para a ciclomobilidade e a ciclocidadania?<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"717\" height=\"538\" src=\"https:\/\/revistabicicleta.com\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/CIdades-5.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-32650\" srcset=\"https:\/\/revistabicicleta.com\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/CIdades-5.jpg 717w, https:\/\/revistabicicleta.com\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/CIdades-5-300x225.jpg 300w, https:\/\/revistabicicleta.com\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/CIdades-5-696x522.jpg 696w, https:\/\/revistabicicleta.com\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/CIdades-5-560x420.jpg 560w, https:\/\/revistabicicleta.com\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/CIdades-5-80x60.jpg 80w, https:\/\/revistabicicleta.com\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/CIdades-5-265x198.jpg 265w\" sizes=\"auto, (max-width: 717px) 100vw, 717px\"><figcaption>\u00a9 Therbio Felipe \u2013 arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Sobretudo, continuamos olhando as cidades como algo al\u00e9m de n\u00f3s, a nosso servi\u00e7o e de acordo com nossos interesses, quando seria oportuno e bem-vindo observar como nos traduzimos nelas, impregnando-as com o nosso melhor e com o que em n\u00f3s n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o bom.<\/p>\n<p>Sejamos claros: a cidade \u00e9 o espelho daquele que se diz cidad\u00e3o, e independe do Estado para tal.<\/p>\n<p>N\u00e3o nos ofendamos: se a cidade \u00e9 suja, \u00e9 porque aquele que ali vive tamb\u00e9m o \u00e9. Se a cidade \u00e9 pac\u00edfica, agrad\u00e1vel e acolhedora, \u00e9 reflexo de quem l\u00e1 vive. Se, por sua vez, \u00e9 violenta, insidiosa, inacess\u00edvel e prom\u00edscua, n\u00e3o passa de uma proje\u00e7\u00e3o dos atores sociais que nela habitam e de suas escolhas.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos aceitar que se entenda a cidade meramente como um somat\u00f3rio de problemas decorrentes de quest\u00f5es demogr\u00e1ficas. Mais que tudo, \u00e9 um ambiente inter-relacional que surge de experi\u00eancias socioculturais, socioecon\u00f4micas e socioambientais, no tempo e no espa\u00e7o.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"720\" height=\"481\" src=\"https:\/\/revistabicicleta.com\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/CIdades-6.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-32651\" srcset=\"https:\/\/revistabicicleta.com\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/CIdades-6.jpg 720w, https:\/\/revistabicicleta.com\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/CIdades-6-300x200.jpg 300w, https:\/\/revistabicicleta.com\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/CIdades-6-696x465.jpg 696w, https:\/\/revistabicicleta.com\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/CIdades-6-629x420.jpg 629w\" sizes=\"auto, (max-width: 720px) 100vw, 720px\"><figcaption>\u00a9 EnvatoElements<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Quando nos chegam novidades do mundo da bicicleta pelas redes sociais e, at\u00e9 mesmo, atrav\u00e9s da boa e velha carta, sempre esperamos ouvir sobre novos lugares onde a bicicleta e seus usu\u00e1rios j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o vistos como seguidores de uma moda sem objetivos.<\/p>\n<p>Queremos saber mais sobre as cidades feitas pelas pessoas e para as pessoas, como orienta o excelente arquiteto dinamarqu\u00eas, Jan Gehl. Parte da miss\u00e3o deste homem e suas equipes tem sido criar cidades melhores para as pessoas viverem. Isto, ent\u00e3o, significaria cidades melhores para pessoas melhores?<\/p>\n<p>Quando penso sobre isto algo me remete \u00e0 minha inf\u00e2ncia na borda sul do pa\u00eds, quando indistintamente precis\u00e1vamos de t\u00e3o pouco para viver. N\u00e3o ansi\u00e1vamos por muito, desde que as pessoas ao nosso redor estivessem felizes.<\/p>\n<p>\u00c0quela \u00e9poca, para mim a bicicleta era o presente esperado no natal, que iria garantir a folia molequeira cheia de boniteza durante o ano todo, zingrando nas ruas empoeiradas pelo esquecimento. For\u00e7ando um pouco minha mem\u00f3ria, coincide o fato de que muitas pessoas tamb\u00e9m n\u00e3o tinham carro (objeto para poucos), e a bicicleta era o ve\u00edculo para chegar ao trabalho, escola, encontrar a namorada ou carregar coisas como o botij\u00e3o de g\u00e1s, por exemplo.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"720\" height=\"479\" src=\"https:\/\/revistabicicleta.com\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/CIdades-7.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-32652\" srcset=\"https:\/\/revistabicicleta.com\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/CIdades-7.jpg 720w, https:\/\/revistabicicleta.com\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/CIdades-7-300x200.jpg 300w, https:\/\/revistabicicleta.com\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/CIdades-7-696x463.jpg 696w, https:\/\/revistabicicleta.com\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/CIdades-7-631x420.jpg 631w\" sizes=\"auto, (max-width: 720px) 100vw, 720px\"><figcaption>\u00a9 EnvatoElements<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Voltamos \u00e0 realidade atual e futura. Provavelmente, algumas gest\u00f5es p\u00fablicas tratar\u00e3o de <em>Copenhaguenizar<\/em> suas cidades, por\u00e9m, este pode n\u00e3o ser o caminho natural para chegar a um resultado semelhante. Digo isto me baseando na reflex\u00e3o de que um molde triangular jamais dar\u00e1 forma a um objeto redondo, e vice-versa.<\/p>\n<p>\u00c1s vezes, modelos ou metodologias aplicadas como solu\u00e7\u00f5es para determinados problemas n\u00e3o t\u00eam o mesmo \u00eaxito em outra parte ou problema diferente.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"720\" height=\"480\" src=\"https:\/\/revistabicicleta.com\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/CIdades-8.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-32653\" srcset=\"https:\/\/revistabicicleta.com\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/CIdades-8.jpg 720w, https:\/\/revistabicicleta.com\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/CIdades-8-300x200.jpg 300w, https:\/\/revistabicicleta.com\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/CIdades-8-696x464.jpg 696w, https:\/\/revistabicicleta.com\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/CIdades-8-630x420.jpg 630w\" sizes=\"auto, (max-width: 720px) 100vw, 720px\"><figcaption>\u00a9 EnvatoElements<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Parte das transforma\u00e7\u00f5es sonhadas, desejadas e requeridas para as cidades num futuro pr\u00f3ximo passam, imediatamente, por escolhas atuais mais humanas e com reflexos mais coletivos por parte de cada um de n\u00f3s. Ainda que isto nos custe certo desconforto moment\u00e2neo, adapta\u00e7\u00e3o dolorosa ou at\u00e9 mesmo, mudan\u00e7as das perspectivas pessoais.<\/p>\n<p>Compartilhamos de um momento bastante delicado da hist\u00f3ria, porque jamais soubemos tanto sobre tanta coisa, e possivelmente, em mesma escala, jamais tivemos tanta capacidade para transformar nossa realidade comum. A op\u00e7\u00e3o pela bicicleta, universalmente, n\u00e3o pode ser tomada com base em modismos e consumismos elitistas. \u00a0E, da mesma forma, n\u00e3o pode se basear a partir de uma postura reacion\u00e1ria e violenta, que usar\u00e1 as mesmas formas de express\u00e3o do sistema que repudiamos, o qual lastima, ofende e aniquila a mim, a voc\u00ea e \u00e0s pessoas que nem mesmo eu ou voc\u00ea conhecemos, no <em>j\u00e1<\/em> e no <em>ainda n\u00e3o<\/em>, no agora e no depois.<\/p>\n<p>Este pequenino detalhe da vida de todos n\u00f3s est\u00e1 presente na sua rua, no seu quintal, mas tamb\u00e9m naquela bab\u00e1 eletr\u00f4nica que voc\u00ea n\u00e3o desliga. Est\u00e1 no estacionamento vertical, na vaga viva, na intermodalidade, nos paraciclos, mas tamb\u00e9m est\u00e1 naquele sinal vermelho que voc\u00ea cruzou, hoje pela manh\u00e3, s\u00f3 porque n\u00e3o vinha ningu\u00e9m, apenas um ciclista.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"720\" height=\"542\" src=\"https:\/\/revistabicicleta.com\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/CIdades-9.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-32654\" srcset=\"https:\/\/revistabicicleta.com\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/CIdades-9.jpg 720w, https:\/\/revistabicicleta.com\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/CIdades-9-300x226.jpg 300w, https:\/\/revistabicicleta.com\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/CIdades-9-696x524.jpg 696w, https:\/\/revistabicicleta.com\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/CIdades-9-558x420.jpg 558w, https:\/\/revistabicicleta.com\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/CIdades-9-80x60.jpg 80w, https:\/\/revistabicicleta.com\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/CIdades-9-265x198.jpg 265w\" sizes=\"auto, (max-width: 720px) 100vw, 720px\"><figcaption>\u00a9 Therbio Felipe \u2013 arquivo pessoal.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Est\u00e1 na escolha dos governantes, dos homens do mercado, dos empreendedores, mas tamb\u00e9m est\u00e1 presente na vida daquele que n\u00e3o tem escolhas. Est\u00e1 presente na bike silenciosa rumo \u00e0 escola, rumo ao treino, ao cinema ou, t\u00e3o somente, rumo aos pr\u00f3ximos quil\u00f4metros.<\/p>\n<p>Quem sabe apenas esteja presente. Enfim, sua cidade, no presente e no futuro, est\u00e1 em voc\u00ea, em mim, e acredito concretamente que n\u00f3s possamos fazer algo de surpreendente. Afinal, voc\u00ea leu at\u00e9 esta linha, vai discutir este tema com seus pares, quem sabe?<\/p>\n<p>E, na pr\u00f3xima linha, eu poderei lhe agradecer por ter feito a diferen\u00e7a durante este tempo que j\u00e1 n\u00e3o temos. Juntos.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"720\" height=\"479\" src=\"https:\/\/revistabicicleta.com\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/CIdades-10.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-32655\" srcset=\"https:\/\/revistabicicleta.com\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/CIdades-10.jpg 720w, https:\/\/revistabicicleta.com\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/CIdades-10-300x200.jpg 300w, https:\/\/revistabicicleta.com\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/CIdades-10-696x463.jpg 696w, https:\/\/revistabicicleta.com\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/CIdades-10-631x420.jpg 631w\" sizes=\"auto, (max-width: 720px) 100vw, 720px\"><figcaption>\u00a9 EnvatoElements<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div>O FUTURO DAS CIDADES ATRAV\u00c9S DAS BICICLETAS N\u00e3o, n\u00e3o se trata de mais um texto fazendo apologia (discurso para justificar ou defender) \u00e0s bicicletas. Tampouco se pretende filosofar sobre algo pouco concreto, porque seria banalizar o pensamento e o tempo que j\u00e1 n\u00e3o temos. Minha aten\u00e7\u00e3o est\u00e1 focada em um pequenino detalhe da vida de [\u2026]<\/div>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4324,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[249],"tags":[219,220,286,284],"class_list":["post-4323","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-bicicleta","tag-bike","tag-componente","tag-peca"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cupombike.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4323","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cupombike.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cupombike.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cupombike.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cupombike.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4323"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/cupombike.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4323\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":32171,"href":"https:\/\/cupombike.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4323\/revisions\/32171"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cupombike.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4324"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cupombike.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4323"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cupombike.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4323"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cupombike.com.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4323"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}