{"id":5869,"date":"2025-07-24T16:51:56","date_gmt":"2025-07-24T19:51:56","guid":{"rendered":"https:\/\/cupombike.com.br\/coragem-watts-e-muita-grana\/"},"modified":"2026-05-15T22:13:54","modified_gmt":"2026-05-16T01:13:54","slug":"coragem-watts-e-muita-grana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cupombike.com.br\/novo\/coragem-watts-e-muita-grana\/","title":{"rendered":"Coragem, watts e muita grana"},"content":{"rendered":"<div>\n<p>O ciclismo \u00e9 feito de suor e perseveran\u00e7a. Mas tamb\u00e9m dinheiro. Muito dinheiro. Neste domingo, tudo caminha para a UAE vencer pela terceira o Tour de France com o esloveno Tadej Pogacar. \u00c9 o time com maior or\u00e7amento do pelot\u00e3o e o ciclista de maior sal\u00e1rio. Cerca de \u20ac60 milh\u00f5es ao todo, sendo \u20ac8 milh\u00f5es dedicados \u00e0 grande estrela do esporte atual.<\/p>\n<blockquote>\n<p>O dinheiro e as vit\u00f3rias sempre andaram juntos no ciclismo. Ainda mais no Tour.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Na d\u00e9cada passada, a equipe de maior investimento tamb\u00e9m foi a mais vitoriosa. A Sky (hoje INEOS) venceu sete dos dez Tour de France (com Bradley Wiggins, Chris Froome 4x, Geraint Thomas e Egan Bernal). A esquadra gal\u00e1ctica tinha um or\u00e7amento de \u20ac30 milh\u00f5es por ano.<\/p>\n<p>Em uma conta simples, a UAE trabalha com o dobro do dinheiro que dispunha a Sky, que por sua vez j\u00e1 dobrava a m\u00e9dia das equipes concorrentes. Desde que o World Tour foi criado, em 2005, as equipes mais ricas trabalhavam com um budget anual de \u20ac15 milh\u00f5es. O site Escape mostrou que a m\u00e9dia subiu 40% nos \u00faltimos quatro anos.<\/p>\n<div id=\"attachment_11347\" style=\"width: 1010px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11347\" class=\"size-full wp-image-11347\" src=\"https:\/\/aliancabike.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/WorldTour-team-budgets-2.jpg\" alt=\"dinheiro ciclismo\" width=\"1000\" height=\"667\" srcset=\"https:\/\/aliancabike.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/WorldTour-team-budgets-2.jpg 1000w, https:\/\/aliancabike.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/WorldTour-team-budgets-2-300x200.jpg 300w, https:\/\/aliancabike.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/WorldTour-team-budgets-2-768x512.jpg 768w, https:\/\/aliancabike.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/WorldTour-team-budgets-2-900x600.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\"><\/p>\n<p id=\"caption-attachment-11347\" class=\"wp-caption-text\"><em>Proje\u00e7\u00e3o do or\u00e7amento m\u00e9dio das equipes World Tour (Escape Colletive)<\/em><\/p>\n<\/div>\n<h3><strong>Muito dinheiro (para poucos)<\/strong><\/h3>\n<p>Segundo um relat\u00f3rio da UCI (Uni\u00e3o Cicl\u00edstica Internacional), as 18 equipes WT masculinas somadas re\u00fanem 600 milh\u00f5es de euros. Se fosse repartido igual, seria algo em torno de 33 milh\u00f5es para cada time. Na planilha de custos: 30 ciclistas, estafes, \u00f4nibus, carros, sedes, bases log\u00edsticas\u2026e muitos outros custos de desenvolvimento, como os treinamentos em altitude.<\/p>\n<div id=\"attachment_11350\" style=\"width: 1510px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11350\" class=\"size-full wp-image-11350\" src=\"https:\/\/aliancabike.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/High-Performance-Center-HPC-3.webp\" alt=\"estrutura visma \" width=\"1500\" height=\"825\" srcset=\"https:\/\/aliancabike.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/High-Performance-Center-HPC-3.webp 1500w, https:\/\/aliancabike.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/High-Performance-Center-HPC-3-300x165.webp 300w, https:\/\/aliancabike.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/High-Performance-Center-HPC-3-1024x563.webp 1024w, https:\/\/aliancabike.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/High-Performance-Center-HPC-3-768x422.webp 768w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\"><\/p>\n<p id=\"caption-attachment-11350\" class=\"wp-caption-text\"><em>Os sal\u00e1rios representam maior fatia do or\u00e7amento, mas super equipes refletem grande estrutura log\u00edstica<\/em><\/p>\n<\/div>\n<p>Os custos de um time profissional disparam t\u00e3o r\u00e1pidos quanto os ataques de Tadej Pogacar nas montanhas. Isso tem criado um grande impasse. \u00c9 necess\u00e1rio buscar mais dinheiro para sustentar esse espet\u00e1culo e ser competitivo. Ou voc\u00ea entra para as super equipes ou voc\u00ea pode fechar as portas.<\/p>\n<p>E, no ciclismo, o dinheiro tem apenas um caminho: o <em>naming right<\/em> da equipe. Cada time \u00e9 uma licen\u00e7a. E o dono dela pode colocar o nome de patrocinadores por um per\u00edodo ou pode ser um mecena-propriet\u00e1rio da licen\u00e7a. Normalmente, \u00e9 a soma dos dois casos. Veja a pr\u00f3pria UAE. Uma licen\u00e7a pertencente ao Sheikh Tahnoun bin Zayed Al Nahyan, que divulga seu pa\u00eds e empresas estatais ou pertencentes aos seus fundos de investimentos, como a Emirates, a XRG, a G42 e at\u00e9 mesmo a marca de bicicletas Colnago. V\u00e1rios nomes de um mesmo pote.<\/p>\n<blockquote>\n<p>O ciclismo \u00e9 um esporte onde as equipes n\u00e3o recebem direitos de imagem, diferente do futebol, por exemplo. 87% do or\u00e7amento vem dos naming rights<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>A fartura do time dos Emirados \u00c1rabes, entretanto, n\u00e3o jorra da mesma forma para os outros times. Mesmo aqueles com patroc\u00ednios estatais como Astana, Bahrein, Alula (\u00c1rabia Saudita). Eles acabam compondo o or\u00e7amento com outros parceiros. E aqui tanto faz a ordem das coisas. Se a estatal Astana recebeu aporte da empresa de bicicletas chinesa XDS ou se o mecena Gerry Ryan da Jayco ganhou um apoio dos \u00e1rabes, por exemplo.<\/p>\n<h3><strong>Equipes buscam parceiros<\/strong><\/h3>\n<p>Os times mais tradicionais, principalmente, os franceses e belgas, sofrem para se manter competitivos. A maiorira trabalha com or\u00e7amentos que n\u00e3o alcan\u00e7am 30% qui\u00e7\u00e1 40% do valor da UAE. Os italianos j\u00e1 n\u00e3o possuem um time World Tour h\u00e1 alguns anos.<\/p>\n<p>A Cofidis, um a empresa de cr\u00e9dito ao consumidor, \u00e9 o patrocinador mais antigo do pelot\u00e3o World Tour. D\u00e1 nome ao time franc\u00eas desde 1997. Seu diretor, o franc\u00eas Cedric Vasseur, afirmou que ao menos 15 das equipes da primeira divis\u00e3o est\u00e3o em busca de mais dinheiro durante este Tour de France.<\/p>\n<p>A tradicional equipe espanhola Movistar, bancada pela empresa de telefonia local busca um segundo \u201cnome\u201d. Mesmo objetivo da Alpecin, de Mathieu Van der Poel, que n\u00e3o ter\u00e1 o aporte da Deceuninck em 2026. A INEOS, que um dia foi o time mais rico do pelot\u00e3o, ganhou um refor\u00e7o importante da Total Energies antes da volta francesa.<\/p>\n<h3><strong>Criatividade e Fus\u00f5es<\/strong><\/h3>\n<p>Quem n\u00e3o encontra apoio, busca alternativas. Essa semana foi especulada uma poss\u00edvel fus\u00e3o entre a Intermarch\u00e9 e a Lotto. Ambas com licen\u00e7a para a primeira divis\u00e3o na temporada 2026. Falta dinheiro para manter os principais nomes do time, como o eritreu Bini Girmay, <a href=\"https:\/\/cupombike.com.br\/product-category\/roupas-e-acessorios\/\" data-internallinksmanager029f6b8e52c=\"2\" title=\"Camisas e jerseys para ciclismo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">camisa<\/a> verde do Tour de France no ano passado. E, principalmente, para formar ao seu redor um time competitivo. Os dirigentes dos dois clubes chegaram a assinar uma carta de inten\u00e7\u00f5es. Mas n\u00e3o d\u00e1 para imaginar que esse encontro seria mais do que uma mera sobreviv\u00eancia. E o efeito colateral? Muita gente desempregada.<\/p>\n<div id=\"attachment_11348\" style=\"width: 690px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11348\" class=\"size-full wp-image-11348\" src=\"https:\/\/aliancabike.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/GR0I_OpWIAAo4Ib.jpg\" alt=\"bini girmay ciclismo\" width=\"680\" height=\"680\" srcset=\"https:\/\/aliancabike.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/GR0I_OpWIAAo4Ib.jpg 680w, https:\/\/aliancabike.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/GR0I_OpWIAAo4Ib-300x300.jpg 300w, https:\/\/aliancabike.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/GR0I_OpWIAAo4Ib-270x270.jpg 270w, https:\/\/aliancabike.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/GR0I_OpWIAAo4Ib-140x140.jpg 140w, https:\/\/aliancabike.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/GR0I_OpWIAAo4Ib-100x100.jpg 100w, https:\/\/aliancabike.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/GR0I_OpWIAAo4Ib-500x500.jpg 500w, https:\/\/aliancabike.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/GR0I_OpWIAAo4Ib-350x350.jpg 350w, https:\/\/aliancabike.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/GR0I_OpWIAAo4Ib-24x24.jpg 24w, https:\/\/aliancabike.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/GR0I_OpWIAAo4Ib-48x48.jpg 48w, https:\/\/aliancabike.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/GR0I_OpWIAAo4Ib-96x96.jpg 96w, https:\/\/aliancabike.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/GR0I_OpWIAAo4Ib-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 680px) 100vw, 680px\"><\/p>\n<p id=\"caption-attachment-11348\" class=\"wp-caption-text\"><em>Por or\u00e7amento, Bini Girmay pode ficar sem equipe em 2026 (Foto Divulga\u00e7\u00e3o)<\/em><\/p>\n<\/div>\n<p>Mais otimista \u00e9 a not\u00edcia que vem da Fran\u00e7a, com a Decathlon \u2013 rede de lojas de artigos esportivos \u2013 assumindo o controle da tradicional equipe francesa na qual ela j\u00e1 tinha o patroc\u00ednio principal desde o ano passado. Com ela, um novo co-patrocinador, a empresa de transportes mar\u00edtimos CMA CGM e o sonho de um time franc\u00eas capaz de encarar os super-times. E o or\u00e7amento? Algo em torno de \u20ac45 milh\u00f5es.<\/p>\n<blockquote>\n<p>A Decathlon n\u00e3o vai bater de frente com a grana da UAE, mas para coloca-la ao n\u00edvel de equipes como a Visma | Lease a Bike, a Red Bull-Bora Hansgrohe e a Lidl-Trek.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Interessante neste modelo franc\u00eas \u00e9 o patrocinador tomar o controle da licen\u00e7a e gerenciar os bastidores do time. Algo que a EF Education e a Red Bull fizeram nos \u00faltimos anos. Esse formato abre uma porta para gest\u00f5es mais profissionais e podem atrair mais a confian\u00e7a de marcas fora da bolha do ciclismo, cada vez menos capazes de sustentar esse n\u00edvel de investimento anual.<\/p>\n<h3><strong>Onde isso vai parar?<\/strong><\/h3>\n<p>No World Tour n\u00e3o existe um limite or\u00e7ament\u00e1rio ou de sal\u00e1rios. Essa bolha cresce e estrangula a sobrevida tamb\u00e9m dos times de segunda (PRO) e terceira divis\u00e3o (Continentais UCI).<\/p>\n<p>Apesar do interesse das marcas em se associar ao ciclismo, superando a mancha recente do doping, todas elas querem chegar ao esporte com uma ambi\u00e7\u00e3o, vencer o Tour de France. Elas querem estar associadas aos melhores. E isso custa caro. At\u00e9 onde isso vai? Teremos um ciclismo melhor ou uma bolha estourada? Ningu\u00e9m ainda sabe dizer.<\/p>\n<h4>Se voc\u00ea achou interessante esse assunto, recomendo esse texto sobre a gest\u00e3o de cada equipe World Tour, quem manda e de onde vem o dinheiro que as financiam.<\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O post Coragem, watts e muita grana apareceu primeiro em Alian\u00e7a Bike.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div>\n<p>O ciclismo \u00e9 feito de suor e perseveran\u00e7a. Mas tamb\u00e9m dinheiro. Muito dinheiro. 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